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Relações comerciais entre Brasil e Alemanha poderão ter grande avanço a partir de 2018

Indústria e Desenvolvimento

Na manhã desta segunda-feira (13), o 35º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA 2017) confirmou todas as expectativas que estavam sendo construídas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias da Alemanha (BDI) em relação ao ambiente de negócios mais favorável para gerar resultados para os dois países. Além dos cerca de 2 mil empresários industriais dos dois países, a presença de autoridades, como o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços (MDIC), Marcos Pereira, deu chance para que as percepções e demandas do setor privado fossem levadas diretamente ao governo. O EEBA 2017 ocorre em Porto Alegre, no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), que organizou a edição por meio de seu Centro Internacional de Negócios (CIN-RS).

Entre as novidades que os empresários puderam conquistar está o acordo de cooperação técnica para integrar o Rota Global, do setor privado, ao Plano Nacional de Cultura Exportadora, do governo federal. A CNI e o MDIC deverão trabalhar em conjunto e a ideia é atender 474 empresas de mais de 20 setores, entre eles alimentos, bebidas, tabaco, têxteis, confecções e calçados, farmacêutica e cosméticos, máquinas e equipamentos, móveis e metalurgia, em 17 estados brasileiros, para que elas façam a sua primeira exportação até abril de 2018. O programa custa R$ 1,2 milhão.

“Esse acordo entre setor privado e governo nos permitirá expandir o número de empresas do Rota Global em todo o país e consolidar um modelo harmonizado de atendimento às demandas de empresas envolvendo diversas entidades. Com essa medida vamos evitar sobreposição de ações”, disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. O Rota Global oferece consultoria completa para empresas não exportadoras empreenderem no mercado internacional. O programa foi desenvolvido pela CNI, com recursos do AL-Invest 5.0, financiado pela Comissão Europeia. As 474 indústrias serão acompanhadas desde a construção do plano de negócios até a consolidação da empresa no mercado externo.

Durante a cerimônia de abertura do evento, o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry, destacou que receber uma edição do EEBA é muito significativo para empreendedores gaúchos. “Para nós, é a afirmação de que a história rio-grandense, marcada pela imigração alemã, dá origem a uma nova etapa nas nossas relações econômicas. É, portanto, o anúncio de um futuro de vigorosa cooperação entre as duas nações”, afirmou.

Já o vice-ministro do Ministério de Assuntos Econômicos e Energia da Alemanha, Mathias Machnig, observou que as empresas que pretendem aderir à indústria 4.0 precisam “investir maciçamente” na qualificação de seus colaboradores para a nova era digital. Salientou, ainda, existirem grandes oportunidades de parcerias entre Brasil e Alemanha, citando infraestrutura e energia, especialmente eólica e fotovoltaica. “As relações de Brasil e Alemanha não dependem de composição de governos, vão muito além da política partidária. Vamos continuar cooperando”, disse.

Não por acaso, entre os destaques de toda a programação estão as rodadas de negócios. Elas contabilizam 97 empresas alemãs e 532 empresas brasileiras. A expectativa é que ocorram mais de 400 reuniões empresariais, com perspectiva de US$ 10 milhões de resultados. As empresas participantes são principalmente dos setores de Alimentos, Couro e Calçados, Energias Renováveis, Química e Petroquímica, Saúde e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). O evento é realizado em parceria com a Rede Enterprise Europe Network (EEN), coordenada pela Comissão Europeia, e tem apoio da Apex-Brasil.

Além disso, com a coordenação do governo do Estado do Rio Grande do Sul, o InvestRS inclui uma extensa área específica para informações, acesso a dados econômicos e análises que são relevantes aos interesses de atração de investimentos estrangeiros. “O Rio Grande do Sul vive um momento de travessia, superando as adversidades uma a uma, assim como os primeiros alemães que aqui chegaram”, enfatizou o governador José Ivo Sartori.

O presidente para a Amérca Latina da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), Andreas Renschler, lembrou que as empresas alemãs que estão no Brasil se consideram parte da sociedade brasileira, e empregam 250 mil pessoas.

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, assegurou aos empresários alemães que o País está definitivamente de volta à rota do crescimento. “Podem investir no Brasil. A crise já passou”, garantiu.

PERSPECTIVA PARA O FUTURO
A CNI tem trabalhado para que se concretize uma nova Convenção para evitar a Dupla Tributação da Renda entre Brasil e Alemanha. Isso deverá ser prioridade em um acordo bilateral porque tem potencial para aumentar a segurança jurídica e a competividade das empresas nos negócios bilaterais. O histórico dos dados de fluxos de investimentos bilaterais demonstra que a situação atual está aquém do seu potencial. A Alemanha é um importante investidor no Brasil. Todavia, os estoques de investimentos desse país sofreram uma queda significativa entre 2010 e 2015. Mesmo assim, o país europeu é um dos principais investidores estrangeiros no Brasil, ocupando a oitava posição em 2015, representando 3% do total de estoque de investimentos estrangeiros no Brasil com concentração de 71,5% na indústria de transformação. A celebração de uma convenção para evitar a dupla tributação contribuirá para a facilitação de negócios e investimentos.

O EEBA 2017 conta com os patrocínios de: Commerzbank, Fraport, Gerdau, Stihl, Ibravin e Wines From Brazil, Banco do Brasil, Bayer, Badesul.


Crédito fotos: Dudu Leal